Qual foi o Saldo Positivo em março, se Marielle Franco Morreu?
No entanto, a maior parte das mulheres, ao chegar em casa (para as que trabalham fora ou estudam), se depararam com uma pilha de louça para lavar, roupas para tirar do varal/dobrar ou sujas para tirar da cesta/pôr na máquina, preparar e servir jantar , dar geral de arrumação, (tudo para fazer antes de dormir), etc. Ou seja, além de oprimidas pelo sistema, estamos exaustas com nossas lutas - pessoais e sociais.
Nesse sentido, consumamos nosso fracasso como cidadãos - inseridos numa pretensa democracia - aptas a comemorar o fiasco e falácia desse tal "Dia da Mulher."
Foi o mais fracassado Dia da Mulher dos últimos tempos no Brasil, pode-se dizer. Perdemos Marielle Franco, com M de mulher, de militante, de mãe.
Uma militante política feminista e dos direitos humanos que foi absurdamente assassinada, para horror de milhares de brasileiros que acompanhavam e /ou apoiavam suas lutas.
Dia da Mulher - Para Quê? Pelo Quê? Para Quem? Por Quê?
De qual Dia da Mulher falamos realmente? Certamente constatamos que nada mudou, todos os lugares foram distribuídos e o nosso continua quase intacto e estático, desde que nos conhecemos como gente, é o que pensamos. Dia da Mulher de Araque.
Nossas famílias nos atribuem um papel, as religiões nos colocam quietas nos "nossos lugares" a dizer amém, e nossos companheiros ( ai daquelas que têm companheira) praticamente ignoram o respeito que merecemos na relação, no casamento, na vida como um todo.
Nós, com toda certeza, nos sentimos sós e vemos e comprovamos isso principalmente quando são divulgados os mais tristes casos de perdas fatais de mulheres (como a recente perda de Marielle Franco) que anualmente pipocam em telonas, telinhas, nas hastags e os resistentes impressos.
Num país de alto feminicídio, o que comemorar no Dia da Mulher?
As batalhas e lutas cruas do cotidiano ainda são arduamente travadas pela grande maioria,tanto pelo fato das conjunturas (e estruturas) econômicas, políticas e sociais brasileiras serem por si só bastante difíceis e pesarem sobre cada cidadão. Nada a comemorar no Dia da Mulher.
E também pela parte humana e pessoal, essa que deveria nos elevar, diferenciar, enobrecer e no entanto vamos inacreditavelmente - cada vez mais - na contra-mão delas, mostramos o pior de nós mesmos. A cada duas horas morre fatalmente uma mulher no Brasil. É mais uma comprovação do feminicídio brasileiro.
O Brasil foi criticado duramente lá fora, entidades nacionais e internacionais ligadas aos direitos humanos (causa pela qual Marielle também lutava), revelaram intensas críticas sobre o fato, a repercussão, as responsabilidades cabíveis, enfim, ao pesadelo homicida que paira sobre esse país.
Ao completar uma semana da ocorrência da fatalidade, pouco se avançou desde então
"São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no seu coração." Na canção de Tom Jobim, tudo muito lindo, na vida real, nem um pouco. Nenhuma promessa de vida, só de morte, de dor e retrocesso democrático.
A democracia, o maior legado da humanidade, tem sido bombardeada incansavelmente em solo brasileiro, somos cidadãos nauseabundos.
Nauseabundo, nos dicionários que temos, geralmente trazem dois principais significados: adjetivo, 1- que causa náuseas; nauseante; nauseoso, e 2- que provoca asco, repugnante, asqueroso.
Estamos nauseantes pelos acontecimentos fatídicos que tem nos assombrado, não só pelo caso Marielle Franco, mas tantos outros que trazem em seu bojo a repugnante faceta da democracia que míngua gradativamente a cada um destas perdas injustas.
veja mais em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/19/politica/1521481656_961928.html ; http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossies/violencia/violencias/feminicidio/