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sábado, 13 de janeiro de 2018

Capitão Fantástico - É Possível Ser Diferente (de Verdade) Num Mundo Que se Diz Diferente?


Capitão Fantástico é um filme fantástico, com o perdão da redundância. Nos inspira, ao nos remeter a uma chuva de questionamentos que porventura podem já ter passado por nossa mente. Devemos seguir ao pé da letra tudo o que nos ensinam em toda nossa vida desde que nascemos? Sem questionar nada? Repetir e repetir numa repetição sem fim?

Basta, para vivermos "bem", assimilarmos as coisas tal qual nos chegam e pronto? Assim estaremos prontos para a vida? Será? O filme nos propõe estas questões o tempo todo: quem somos nós e o que afinal de contas estamos fazendo aqui, qual nosso propósito nessa bendita terra e em nossa vida?

É uma aventura inacreditável e repleta de inúmeros "testes" de superação que a família do ator Viggo Mortensen (da saga "Senhor dos Anéis") - seis filhos - têm de passar segundo sua maneira de criá-los. Mas será essa uma maneira realmente errada? Qual o propósito dele com essa "educação" totalmente diferente?



Crio meus filhos erradamente? Nos perguntamos em certo momento

Quais os valores da atual sociedade que fariam falta se os abandonarmos? Conseguiríamos sobreviver sem a tecnologia? Ou nos mataríamos de tédio? Somos, de fato, criaturas que sabem utilizar as ferramentas dos direitos humanos e das leis a nosso favor?

Entendemos o nosso cotidiano? Conhecemos o que comemos? Ou ingerimos à la fast food sem sequer ter a mínima noção da origem e feitura/fabricação dos alimentos? O que dizemos às crianças? Verdades esclarecedoras ou mentimos e as enganamos o tempo todo?

As crianças têm uma percepção global do que aprendem na escola? Ou são manuseadas e ensimesmadas? Desenvolvemos ou estimulamos o espírito crítico delas? Com certeza?



Mas o que ganhamos ao irmos contra todo nosso sistema de valores e crenças?

Aí nós mesmos temos que nos perguntar, encontrar nossas respostas e nos ajustar às mudanças que queremos ou nos readaptar à nossa maneira na sociedade existente. Uma resposta só que responda e dê solução à todos os problemas sociais (e pessoais, etc), jamais conseguiremos obter. O embate mundo ideal x mundo real é meio que infindável.

No próprio filme vemos que o protagonista revê suas posições sem abrir mão delas afinal. Há uma jeito para tudo por assim dizer, se não formos totalmente intolerantes e inflexíveis, e nos abrirmos às possibilidades que se avizinham, às vezes sem percebermos ou inesperadamente nos surpreendendo.

Revolução não é  (necessariamente) só pegar em armas e criar guerras?

Ben, o pai, instiga seus filhos a serem constantemente questionadores, analisarem ao invés de apenas responder automaticamente - isso é revolução: sair do mecanicismo e da massificação e tornar-se único e pensante, não um mero reprodutor de ideias padronizadas e malbaratadas.


Não conformar-se, não mesmerizar-se, não à roda-viva cantada por Chico Buarque tão sabiamente : " ... A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá ...A gente vai contra a corrente até não poder resistir..."

Quando não compraremos o que nem necessitamos? Quando estaremos satisfeitos com o que temos? Quando vamos controlar nosso destino sem apenas copiar o do vizinho?

Eis que chega "Capitão Fantástico" e sacode a poeira do nosso cansaço e da nossa letargia, da nossa entrega e fraqueza, da nossa quietude e conformidade e nos traz um sopro de renovada energia e vitalidade, nos acorda do cochilo passivo induzido pela introjeção do conformismo às cegas. Aí vem Ben Cash e arranca - docemente e ferozmente - a venda dos nossos olhos.






domingo, 5 de novembro de 2017

Novembro Negro - O que é isso?

                                

A fim de de dar atendimento à demanda histórica do Movimento Negro no Brasil, foi instituído em 2011, pela presidente em exercício Dilma Rousseff, o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra, realizado desde então, com uma série de iniciativas da sociedade civil, movimentos sociais e instituições públicas, em diversos modelos, momentos e plataformas, para dar protagonismo e visibilidade às necessidades do movimento negro em sua luta por igualdade de direitos e combate ao racismo. O movimento espera alavancar o reconhecimento da causa, conquistar mais representatividade,  afirmar sua resistência e a colocação da questão racial na sociedade.

                                                     
 O mês é emblemático neste sentido, quando uma agenda de ações é intensamente colocada em prática e  toda a sociedade deveria manifestar apoio às causas debatidas, com o mínimo esperado de consciência crítica, a fim de banir de vez o fantasma e estigma do racismo no país, ainda visível e transparente de variadas, infelizes e sutis formas de ocorrência. Obviamente que não só devemos nos ater a um período específico, mas é bom sermos acordados e chacoalhados pelas consequências persistentes de uma cultura arraigada e endurecida que caminha na contra-mão dos movimentos afirmativos em total desrespeito aos direitos humanos.. 

                                                   
                  
Em Salvador, na Bahia, a Sepromi (Secretaria de Promoção da Igualdade Social) é um dos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento de ações afirmativas chamando atenção para os fundamentos ligados ao mês da consciência negra, cujo lançamento oficial do evento no dia 08 no Teatro Castro Alves, com  apresentação do Bando de Teatro Olodum, a cantora baiana Margareth Menezes, dentre outras atrações. Outro ponto-chave das manifestações no mês é a Marcha do Empoderamento Crespo, cujo temática e emblema é politizar o caráter estético dos cabelos crespos, como ferramenta de estigmatização e deslegitimação dos cabelos crespos na sociedade brasileira, e assim empoderar aqueles que o usam.


Podemos notar,  que nos últimos cinco anos - principalmente - um aumento crescente do número de pessoas (nas ruas, rodas, redes sociais, e mídias) que usam os cabelos crespos naturalmente, os  chamados black power, ou trançados, soltos ou com os famosos dreadlocks. Este é apenas um dos aspectos que o movimento negro quer levantar em suas lutas.

 

A luta pela igualdade racial chegou para ficar e tem conquistado alguns resultados incipientes e conseguido a adesão de personalidades do cenário político e do entretenimento nacionais que potencializam a visibilidade das ações. Deputados, senadores, atrizes e atores, músicos, têm levantado a bandeira da causa racial, incitando a coletividade a pensar sobre o assunto. Impossível por exemplo, não fazer uma referência à música brasileira e todo poder que ela agrega a qualquer ideia/atividade às suas narrativas. Aqui podemos citar os novos talentos nacionais que são ouvidas (os) através das redes sociais, plataformas virtuais, nos shows, nos cd!s, etc, como as cantoras Ludmilla, Karol Conká, Iza, Tássia Reis, as baianas Márcia Short, Anna Mametto,  Manuella Rodrigues, Mariella Santiago, entre tantas. Vale ressaltar o recente trabalho das veteranas como Zezé Motta e Elza Soares. Esta última, que sempre representou a força da mulher negra na vida e no trabalho, exalta fortemente estes traços em seu mais recente álbum "A mulher do fim do mundo":

                                                       

Também no dia 20, no Pelourinho, realizar-se-á a festa "Afro Fashion Day", com gastronomia, desfiles, arte, moda, beleza negra, música, dança, oficinas (de turbantes, por exemplo) feira, exposição de produtos e serviços de empresas como Africanidades, Afreeka, N Black, Ori turbantes, Crioula,Negrif, etc, trazendo modelos e convidados negros.
                                                    

No centro das manifestações a militância ainda pretende ressaltar as questões do feminicídio de mulheres negras, a precariedade do mercado de trabalho para o negro, a violência policial imposta aos jovens negros arbitrariamente, o movimento quilombola, dentre outros casos gravíssimos de abusos cometidos sistematicamente. Lutam por reparação,  conscientização, transparência, afirmação, justiça, direitos humanos, cidadania plena, aquisição de direitos em paridade racial. O Novembro Negro chegou para ficar, para identificar um movimento legítimo de conquista de direitos e o Estado Democrático de Direito é para todos, não apenas para uma parte da população

         Curiosamente, nos primeiros dias de novembro (08 e 09), será realizado o congresso "Encontro Nacional de Direitos Humanos -ENDH" , no qual se pretende elencar uma série de reflexões, debates, troca de experiências e busca de estratégias para a formulação de uma pauta comum de lutas políticas e sociais para a área em 2018. O Encontro está aberto a toda a sociedade, agentes públicos e protetores dos direitos humanos.


Em Salvador, uma das programações infantis do novembro negro é :


Veja mais sobre o novembro negro em: http://www.teatronu.com/marcha-do-empoderamento-crespo-o-cabelo-fazendo-a-cabeca/;  https://esquerdaonline.com.br/2016/11/07/a-consciencia-para-alem-do-novembro-negro/ ; https://www.geledes.org.br/salvador-novembro-negro-abre-programacao-no-dia-8/ ;  https://www.geledes.org.br/10-mulheres-negras-que-fazem-a-diferenca-na-bahia/ ; http://blogueirasnegras.org/2015/03/07/as-novas-baianas-mulheres-negras-na-musica/ ;  http://www.modefica.com.br/representatividade-importa-10-cantoras-negras-brasileiras- para-curtir-e-se-inspirar/#.Wf-b6_lSzIV ; https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/o-novembro-negro-e-os-meios-de-comunicacao-3062.html

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Outubro Rosa 2017

Mais um mês de outubro encerra-se com o êxito na campanha "Outubro Rosa". Várias intervenções foram organizadas e coordenadas, espalhadas pela cidade - como também no interior baiano - convidando as mulheres a participarem ativamente do mutirão de exames gratuitos que foram ofertados (em maior quantidade que o habitual), por diversas entidades (clínicas) , na maior parte públicas. Milhares de fitinhas de seda rosa (símbolo-chave da campanha de prevenção ao câncer de mama), de papel rosa ou de plástico rosa, foram  acessórios indispensáveis às roupas femininas, presas em suas blusas ou vestidos com orgulho, dando visibilidade a um movimento que tem crescido nos últimos anos.

Além dos postos fixos para realização das mamografias, também foi disponibilizado um "caminhão itinerante", com  equipamentos para realização de exames clínicos, além de médicos para atendimento, que visitou alguns bairros da capital durante todo o mês. Este projeto teve a programação divulgada antecipadamente.com a intenção de que, dependendo da necessidade do caso, as pacientes seriam encaminhadas para realizar mamografias nas unidades públicas de saúde. 

Todas as iniciativas são louváveis e não devem parar, a partir de uma maior conscientização pela população feminina da importância dos cuidados com seu corpo e sua saúde.É preciso ficar atenta aos prestadores de serviço público de saúde na área ginecológica: comunicando as falhas, denunciando abusos que ocorram, ou por outro lado, disseminando ações positivas e favoráveis, compartilhando as boas ações que encontrar. Inclusive, é bom lembrar, que após a campanha em outubro, os cuidados ainda sejam redobrados. 






quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Amigos Sempre!

Celebrar uma amizade que já dura 30 anos, maravilha! Mas sempre é bom comemorar todas as amizades com as quais somos brindados: aquela que começou há cinco minutos num momento furtivo que nem havíamos dado importância; aquela que é "distante" mas é inacreditavelmente presente; aquela que chega de mansinho, sem querer e nós adoramos (na fila do banco, nos momentos da vida); ou aquela que até achamos que enjoamos, mas ainda é sumariamente importante, faz uma enorme diferença a sua ausência; tem aquelas modernas, típicas virtuais, que nos surpreendem pela força e encanto e tem até (acreditem!) as nascidas num veículo de comunicação que as novíssimas gerações nunca ouviram nem falar:cartas, as antigas correspondências impressas, hoje tão raras. Na foto celebro uma amizade singular, que tem um pouco de cada uma das amizades que citei.



Café na Livraria Saraiva

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Bem-vindos!

Atualmente, para a vida fazer sentido e sermos uma parte ativa e significativa dela, precisamos de algumas ferramentas -chave na interação com a sociedade. O Conhecimento sobre as coisas que nos cercam é peça fundamental neste processo de busca constante de auto-aperfeiçoamento.  Socializar os aprendizados cotidianos faz a roda do mundo girar.Não estamos sozinhos, é fato, e há muito para conhecer, aprender, interagir e fazer. A ideia é tentar ver um pouco de tudo aqui de uma maneira crítica, ponderada e aprofundada sempre que possível. Abraço (e sorriso) de boas-vindas!