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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Consciência Negra e a Estupidez e Descaso da Desigualdade Social

Distorções na distribuição de oportunidades são uma chaga no Brasil, e penaliza de tal maneira a população negra que podemos falar em massacre em certa medida. Um dado infeliz, um dado de retrocesso que parece não afetar a maior parte da outra metade da população, que passa boa parte da existência ignorando os dados estatísticos sempre piores a cada ano. E a imprensa também coaduna com toda estupidez e o descaso da desigualdade social, ao publicar pautas que vão de encontro às lutas do movimento negro e no mês da consciência negra, os destaques não são mais que pífios.




Nada a comemorar no mês da consciência negra, que muitos relegam ao esquecimento proposital, tanto autoridades, quanto cidadãos de classes mais favorecidas, muito mais envolvidos com noticiários duvidosos e manipuladores, além de gastarem o dinheiro (do rentismo explorador) de  que supõe deixá-los superior às outras classes. Triste e perversa miopia nacional, que cimenta o país num esfacelamento irreparável em vários aspectos. Essa parcela privilegiada da população quer muito além do necessário e o resto dos brasileiros que se virem com a ninharia que conseguem.




Quem se preocupa  com a redução da desigualdade social?

O que se vê claramente e o que se tem de fato, é uma despropositada ignorância sobre as necessidades reais de mudança do panorama, que não se dá a devida importância, um emaranhado cada vez mais crescente de injustiças sociais em quase todos os âmbitos da sociedade, que penaliza de maneira cruel uma parte da população mais ativa e representativa do povo brasileiro.



As demandas da população negra são tão invisibilizados e "naturalizados", que uma parte da própria comunidade negra nem pensa sobre isso com o teor da gravidade que o quadro apresenta, devido a fatores externos que vão além de sua consciência.  A "consciência" negra no Brasil branco é medíocre. Não sabemos o suficiente, não nos importamos o suficiente, nem também temos empatia suficiente. 

Passam ao largo das preocupações das autoridades uma agenda (urgente ) de necessidades a sanar da comunidade negra. Assim é,  tendo em vista que o racismo é rechaçado nas vias burocráticas - cínicas e hipócritas - imersas e institucionalizadas no território brasileiro, que, no entanto é pátria de todos, negros e brancos. 

Não aceitamos que fomos escravistas durante 300 anos, 300 anos! Não são três anos, nem trinta anos. E não enfrentamos abertamente que existem resquícios degradantes do escravismo ainda em nossos dias. Direitos humanos no país estão em vias de tornarem-se piada. Ao fim e ao cabo, quem se preocupa com a redução da desigualdade social? 

Negros Penalizados - Genocídio da Juventude Negra

Problemas como exclusão no mercado de trabalho, mortandade de população negra, especialmente homens negros, escolarização deficiente no ensino público de má qualidade; racismo institucional, racismo estrutural, preconceito naturalizado e enraizado no cotidiano; discriminação nos salários pagos a negros (sempre menores); poucas políticas públicas dirigidas à comunidade; encarceramento em massa da população negra; ensino superior com pouca representatividade negra; a objetificação do corpo negro; dentre outros gravíssimos quadros conjunturais e estruturais existentes no Brasil.

                                          


Até Quando Suportar as Dezenas de Desigualdades e Injustiças?

Exemplos de estatísticas  vergonhosas, absurdas e horrendas como o "mapa da fome"(tendo em vista estarmos no século XXI com tantos "avanços" em variadas áreas) do qual havíamos saído recentemente; a mortalidade infantil e a extrema pobreza são temas desumanos que incidem sobre a população negra com mais densidade. Temos portanto, a estupidez e o descaso com a desigualdade social, historicamente perpetuada, vale ressaltar.


As conquistas para minimizar estas situações são tímidas e pouco afeta a consciência dos gestores de mecanismos burocráticos/outros que deveriam estar à frente das tomadas de decisão e ação efetivas a fim de reduzir os números negativos. Mas a maior parte dessas gestões são controladas por uma elite branca - burocrática, financeira e social - que pouco se importa com isso. Há engessamento e desinteresse colossal nesse sentido.


A gravidade do contexto se move também - obviamente e talvez até com maior intensidade - aos mais frágeis, as crianças, que são ainda mais penalizadas, tendo em vista a fragilidade em relação aos adultos, que deveriam ser seus protetores e garantirem o bem estar e a segurança física, social e emocional dos pequenos (segundo a lei, menores de 0 a 12 anos). 

Mas as falhas, os erros, a irresponsabilidade, o descompromisso em honrar a dignidade humana das crianças, especialmente das crianças negras, tem sido crescente. As políticas públicas destinadas às crianças no Brasil vão quase a zero. Pode-se argumentar erros semelhantes se nos referirmos aos idosos brasileiros, e idosos brasileiros negros.

O menosprezo em providenciar políticas públicas que ofereçam creches adequadas, escolas bem equipadas, programas de saúde pública de boa qualidade,  áreas de lazer estruturadas e acessíveis (praticamente não há parques, praças e quadras de esportes nas cidades), dentre outras tantas mazelas no que diz respeito às crianças brasileiras de classes média baixa, filhos de assalariados de uma maneira em geral, quanto mais as dentro do espectro da pobreza e extrema pobreza.

E a Mulher Negra? Onde Estão os Direitos da Mulher Negra Brasileira?

Em mês de campanha da consciência negra, as manchetes na mídia impressa são irrisórias, nos meios digitais há um pouco mais conteúdos, sem efetivamente serem absorvidos e notados com o discernimento que deveriam provocar. O interesse pelas causas negras ainda é restrito, só grandes celebridades televisas chamam a atenção, eventualmente.

Em relação às mulheres negras este contexto é potencializado, pois dificilmente há destaques para mulheres negras e seus êxitos diários em meio a um universo nacional notadamente branco, machista, racista e misógino.


Se, só pelo fato de ser mulher já existe uma rede colossal de dificuldades adversas para lidar, ser mulher e negra  potencializa este estado. Há muito o que se discutir, problematizar e buscar sistematicamente as soluções - iniciais, parciais ou totais - para as dezenas de questões e desafios com os quais a mulher negra padece, a partir do momento em que nasce até sua vida de adulta plena.

No quadro atual pode-se citar  desde o acesso ao mercado de trabalho igualitário - vagas e salários - pelo menos com as mulheres brancas (porque a ambas é desigual em relação aos homens brancos); ao feminicídio da mulher negra, que cresce; abertura dos espaços de poder com representação negra; programas de saúde feminina; acesso equitativo às instituições de ensino,  dentre outras adversidades e cenários limítrofes. 



As questões do negro brasileiro são condenadas a serem questões ínfimas, sem valor. E isso é historicamente construído desde a famigerada falácia da abolição da escravatura. O panorama de reparações das dezenas de injustiças cometidas ao longo dos anos é enorme e insano, despertam pouca relevância até os dias atuais. A partir do exposto, a luta da militância e todos os progressistas e humanistas, tem de ser incessante senão será sempre relegada à invisibilidade, à estupidez e descaso da desigualdade social em terras brasileiras.

sábado, 25 de agosto de 2018

O Que é Sexismo ? E O Que Eu Tenho a Ver Com isso?

O Sexismo na Sociedade


Sexismo é um termo que em tese significa tanto a ação, como o pensamento discriminatório para com alguém baseado em seu sexo, seu gênero e sua orientação sexual. Em outras palavras, é quando temos atitudes, ou falamos, em relação a alguém de acordo com uma orientação (deturpada) de que um gênero é "melhor" do que outro. Um conceito totalmente errôneo, que já prejudicou - e feriu - milhares de pessoas, especialmente as mulheres.


Estas atitudes e pensamentos sexistas, infelizmente, foram muito internalizados e naturalizados pelas pessoas ao ponto de passarem "em branco", sem ninguém prestar atenção a elas ou fazer alguma coisa a respeito. Nesse sentido, as mulheres padecem do pesadelo  da discriminação de maneira invasiva, dolorosa e humilhante em quase toda a trajetória de sua vida.  


Como Identificar o Sexismo


De certa forma, esse ato nocivo e abusivo, permanece praticamente invisível na sociedade e muitas vezes, inclusive, as próprias mulheres podem aceitá-lo com quase naturalidade. O fato de conviverem com os abusos indefinidamente, sem ter uma noção clara de que há discriminação e humilhação naquela ocasião específica, deixa as mulheres sempre vulneráveis, principalmente aquelas que têm baixa escolarização e baixo rendimento.


Aonde está o Sexismo no Dia-a-dia? Como Posso Identificar Esta Discriminação?


Diariamente as mulheres são vítimas de comportamentos sexistas e muitas destas vezes não conseguem sequer enxergá-los. Mas há muita pessoas, grupos e instituições interessadas em acabar com este discurso de desvalorização e abrir os olhos das mulheres para o discurso do empoderamento, quando a mulher sai da ordem da submissão e passa a ter domínio consciente de todo seu potencial como pessoa, sem se desmerecer por ser mulher. 

                           
É o peso do discurso reacionário, dos achismos, do senso comum, extremamente pejorativos em relação a mulher, que também definem esta condição de sexismo arraigado.

 Os resultados do patriarcalismo e machismo ainda muito presentes na sociedade brasileira, certamente contribuem para que este contexto de dominação (de um gênero sobre o outro) sobreviva tanto tempo.

É preciso atacar e tentar acabar veementemente com estas disposições de sexismo ainda muito atuantes na vida social. Muito pode ser mudado a esse respeito, desde já, ainda na infância, de homens e mulheres.

                                      


A equidade de gêneros, quase inexistente no Brasil, é tema de muita discussão dentre os grandes tópicos dos direitos humanos. A desigualdade entre os gêneros pesa enormemente, no que diz respeito a questões do cotidiano, como com o trabalho, com a educação, os afazeres básicos do cotidiano, nos esportes, na cultura,  no lazer, etc. 
A mulher enfrenta muito mais dificuldades que os homens quando vai buscar sua inserção na sociedade e poucas conseguem assumir uma posição em pé de igualdade com os homens.

Como Podemos Nos Posicionar contra o Sexismo?

São muitas as maneiras de combater o sexismo presente nas  entranhas da sociedade brasileira, mas deve-se começar este processo, primeiramente, ao aceitar a existência deste fardo discriminatório, absurdo (desde sempre) e perverso. 

Na escola quando pequenos, meninos e meninas precisam interagir em condições igualitárias de aprendizado e tratamento ; como também na adolescência e ao entrar na vida adulta, com cargos, salários, oportunidades, nos ambientes sociais, religiosos, esportivos, culturais,  familiares e até físicos.  Absorver, na contramão do senso comum, que as mulheres podem ser e fazer tudo como são e fazem os homens, se assim desejarem, desde a mais tenra idade.
Sexismo - Desigualdade de Gênero

O sexismo - a desigualdade de gênero - é um oponente que mina os esforços de crescimento da própria vida humana. Pois, ao excluir parte substantiva dela - a força da mulher - que é imprescindível para levar adiante a história da humanidade,  priva-se de ir adiante. Mas apenas em pé de igualdade poderemos unir forças e nos elevar como seres humanos a novos patamares. 

Você pode gostar também de: https://www.youtube.com/watch?v=n5q91ZtGGwk ;    https://www.youtube.com/watch?v=9wmeN8AfPHo&t=466s; https://sociologiahojemdia.blogspot.com/2018/08/tatiane-mais-nova-vitima-do-feminicidio.html ;  https://www.huffpostbrasil.com/soraya-chemaly/10-sexismos-do-dia-a-dia-e-o-que-voce-pode-fazer-a-respeito-dele_a_21679806/




segunda-feira, 25 de junho de 2018

Violência Contra Crianças - E a Segurança Pública Brasileira?

O Brasil inteiro acompanhou estarrecido as últimas notícias sobre a violência crescente voltada contra algumas crianças do mês de abril até hoje. Nesse período, três crimes chocantes abalaram nossa fé na humanidade, tendo em vista que, os seres mais vulneráveis que temos a obrigação de proteger, as crianças, foram as vítimas de crimes sórdidos, de uma crueldade indefensável. Mas a violência não precisa ser a marca da identidade brasileira.


Violência Policial em Cheque

Dois meninos de 3 e 6 anos, Joaquim e Kauã , em abril, uma menina de 12 anos, Vitória Gabrielly e um adolescente de 14 anos, Marcos Vinicius, estas últimas, mortas agora em junho. Os brasileiros precisaram reunir muitas forças para tentar aproveitar as festas juninas. 



Caso Vitória Gabbrielly de Apenas 12 anosFicamos horrorizados e muito abalados com a indiscutível perversidade humana crescente. Há indícios fortes de envolvimento dos próprios familiares em alguns crimes. 

Não importa. Que a punição seja rigorosa para todos os criminosos envolvidos, que nenhum deslize passe em branco, que toda a apuração resulte em pena máxima àqueles responsáveis por tamanha monstruosidade. 



Segurança Pública Brasileira , Sem  a Qualidade e Eficiência que Precisamos

As famílias brasileiras normalmente contam muito pouco com a segurança pública para proteger sua integridade. A cada crime violento e cruel, principalmente contra inocentes e indefesas crianças, a Segurança Pública brasileira demonstra que está ainda muito longe de ter a qualidade e eficiência da qual nós brasileiros merecemos, afinal, pagamos uma das maiores taxas de impostos no planeta e combater as desigualdades gritantes é um dos focos principais.

Não temos competência suficiente para garantir a inviolabilidade de nossas crianças, pelo que temos visto, através dos noticiários e redes sociais. Desde o absurdo intolerável da morte da vereadora Marielle Franco - que expôs a fragilidade do nosso serviço de proteção à pessoa - a maldita corrupção, e mais uma dezena de falhas,- - como a violência sistêmica, que tem se enraizado na sociedade - quando não, desculpas esfarrapadas sobre a atribuição de culpa pelos crimes.

Caso Adolescente Marcos Vinícius de 14 anos


O menino Marcos Vinícius foi morto por tiros em um suposto embate policial no qual helicópteros disparavam suas armas sobre a população. Que tipo de proteção é essa? Como podemos proteger nossas crianças com ação policial desse tipo? Que presidente vamos eleger que possa nos garantir nossa segurança através das políticas públicas na área? Combater o crime preventivamente e coercitivamente deveria ser uma meta viável e urgente.


Nossa Deficiência em Ver o Que Está Acontecendo Só Não é Pior do Que Não fazer Nada

Será que estamos embotados com máscaras como carnaval, copa do mundo e quatro telenovelas diárias, que nos ajudam a fingir que não vemos e encolhem nossa capacidade de discernimento?  A tal ponto de não ligarmos, negligenciarmos ou sequer reconhecermos a gravidade do problema da Segurança Pública brasileira, deficiente e inapta. Investimos milhões em festas de altos cachês a artistas caros  e mal investimos o básico para a segurança pública - equipamentos, infra estrutura, coordenação, salários, etc. 

É fundamental para efetuar as mudanças necessárias, questionarmos incanssavelmente as políticas para o cidadão que temos, e buscar quebrar as amarras das desigualdades sociais, passarmos a exigir muito mais das autoridades que nos representam no que diz respeito à nossa segurança e à inviolabilidade de nossas crianças, nossa garantia de futuro e nossos verdadeiros bens. 



O Que Podemos fazer Para Diminuir a Violência no Brasil?

Os moradores da favela da Maré onde o menino foi baleado, fizeram um mobilização quando fecharam ruas. Isso é bom, mas não é suficiente. Os colegas, amigos e familiares da menina Gabrielly, lotaram o cemitério onde a menina foi enterrada, comovente, mas não é suficiente. Somos privilegiados por sermos um país jovem e devemos proteger isso.

As redes sociais entraram em pane com as notícias das mortes dos pequenos Kauã e Joaquim de 3 e 6 anos, é um alento, mas não é suficiente. Nada da magnitude do emocional, seja ação ou reação, será suficiente, infelizmente. Colocamos nossa dor para fora, mostramos nossa indignação com o horror dessa banalidade com a vida humana, mas precisamos muito mais do que isso.


Ir além da dor é difícil, mas só as ações efetivas de controle, de cuidado, de prevenção, de política de segurança pública séria, honesta, competente, poderá assegurar os meios de diminuir a violência que avança a passos largos.

Precisamos entender a força que temos nas mãos , sem armas, mas com nossos votos.  E, ao perguntarmos como está a Segurança Pública Brasileira, lembrarmos que nossos representantes políticos têm que responder aos nosso anseios, às nossas necessidades. E acabar de uma vez com as duas polícias que há no Brasil: a polícia dos ricos, que alivia penas, e polícia de pobre, que na ponta oposta, extermina sem razão.

Exceto, claro, quando os cruéis assassinos são pessoas da própria família. Aí, sim, o sofrimento que temos e vemos é indescritível. Não conseguimos medir o tamanho da impotência que nos deparamos para tentar entender e fazer descer pela goela uma monstruosidade dessa magnitude